Crises de ansiedade? Não entre em pânico!
13/11/2012
Leandro Teles (216 articles)
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Crises de ansiedade? Não entre em pânico!

Vivemos atualmente uma epidemia de casos de ansiedade. O ritmo frenético de vida, aliado a predisposição individual resulta em uma parcela significativa da população com sintomas ansiosos e perda de qualidade de vida.

Felizmente a busca por ajuda médica também tem aumentado, e esse é primeiro passo para o controle dos sintomas.

Esse aumento da incidência é causado, em grande parte, pelo bombardeio de informações a que somos expostos e o alto grau de cobrança individual (emprego, família, sociedade, etc…) .

A ansiedade é uma resposta fisiológica a um evento que está prestes a ocorrer. É uma reação adrenérgica (mediada pela adrenalina) que antecede o stress. A ansiedade é comum antecedendo eventos que fogem da nossa rotina (uma festa, um encontro, uma viagem, semana de provas, entrevista de empregos, etc…) é uma resposta, na maioria das vezes, benéfica para o organismo. Pinta com cores vivas os eventos que se destacam na nossa vida, levam o foco atencional para as prioridades daquele momento.

Bom… se é um processo fisiológico, porque então vira uma doença ? Isso ocorre quando o limiar para seu desencadeamento é reduzido. O paciente pode sentir que algo está prestes a ocorrer mesmo na ausência de qualquer motivo para tal.  A ansiedade patológica faz com o paciente antecipe a preocupação com determinada ocorrência, sofrendo mais do que o necessário. O paciente ansioso está sempre tenso, preocupado, sofrendo por antecipação, perdendo o foco no presente e a oportunidade de viver o momento. Pela sobrecarga mental do ritmo de suas preocupações, ele acaba não focando e não memorizando eventos importantes do dia-a-dia, baixando seu rendimento nos estudos e no trabalho.

Fisicamente a ansiedade também é notável. O paciente fala rápido, às vezes atropela as próprias palavras, pode  apresentar batedeira no peito, suor frio, pupilas dilatadas, assumindo a face da manifestação mais dramática da ansiedade: a crise de pânico. (falaremos dela em detalhes mais adiante)

A ansiedade gera queixas de memória, insônia, irritabilidade, impulsividade. Tudo pelo aumento da adrenalina basal, deixando o paciente à flor da pele. O paciente ansioso gera uma atmosfera ao seu redor de ansiedade, como se contagiasse o ambiente e as pessoas que os cercam.

Como podemos ver a ansiedade não é em si o problema, e sim a sua INTENSIDADE e seu LIMIAR (nível em que é desencadeada). A doença está na exacerbação da resposta ao stress e na redução do limiar… a ansiedade é doença quando incomoda o paciente e/ou a quem o cerca.

A medida do aceitável é por vezes difícil de balizar. Pacientes levemente ansiosos podem ser bastante agradáveis socialmente e bastante produtivos em alguns ambientes de trabalho, como quando a proatividade, a criatividade as relações humanas são valorizadas. Por isso cada caso é um caso.

Outro ponto é a relação com a alimentação. Pacientes ansiosos podem ter disfunção alimentares, engordando por busca frenética a alimentos calóricos (classicamente o chocolate – que reduz a ansiedade e ativam o sistema de recompensa cerebral) ou mesmo emagrecendo, por alimentação hipocalórica e excesso de atividade física e mental.

O que é a crise de Pânico? Como reconhecer os sintomas?

A crise de pânico é a exacerbação aguda da ansiedade. Pode ser motivada por um fator externo (uma fobia, uma notícia, etc…) ou mesmo ocorrer sem qualquer desencadeante óbvio. O paciente é tomado por sensações físicas e emocionais intensas e peculiares.

– Sintomas Físicos Comuns:

1- Taquicardia (aumento da freqüência cardíaca – percebida como batedeira no peito);

2- Sudorese intensa;

3- Aperto no peito (que às vezes pode ser bastante doloroso);

4- Formigamento nas mãos (geralmente dos dois lado, podendo acometer também os pés e os lábios)

– Sintomas Psíquicos Comuns:

1- Desespero

2- Sensação de Morte Iminente

3- Angústia

4- Vontade de sair correndo

A crise de pânico pode simular um ataque cardíaco, uma convulsão ou mesmo um AVC.  Para ajudar o paciente é fundamental manter a calma, senta-lo e pedir que respire profunda e lentamente. A respiração lenta e profunda alivia os sintomas.  Retire o paciente da situação que provocou o início dos sintomas e procure atendimento médico.

COMO COMBATER A ANSIEDADE

O tratamento da ansiedade depende de uma avaliação cuidadosa de seus determinantes (ritmo de vida, contexto social, educacional e de trabalho), mudança de hábitos de vida e , eventualmente, medicamentos. O primeiro passo é reconhecer o problema e buscar ajuda especializada (um neurologista, um psiquiatra ou mesmo seu clínico de confiança). Segue algumas dicas importantes:

1- Evite alimentos estimulantes (café, refrigerante de cola, chá mate, energéticos, álcool, nicotina, etc…)

2- Durma adequadamente (duração, profundidade e arquitetura do sono saudáveis)

3- Faça Exercícios Físicos Regulares: fundamental !! Isso reduz intensamente a ansiedade, baixa a adrenalina e os níveis de cortisol. Libera endorfinas, serotonina e ainda controla o peso e o sono.

4- Organize o tempo: nada de fazer tudo ao mesmo tempo, estabeleça um plano com prioridades. A sobrecarga mental agrava a ansiedade.

5- Foco no presente: nada de sofrer por antecipação, ficar viajando em um futuro ainda indefinido e perder a atenção na resolução de problemas do presente.  Exercite a vivência do presente !

6- Tenha atividades de lazer: se desligue dos problemas de vez em quando, pratique um esporte, cultive um passatempo, saia com amigos, viaje, enfim…

7- Use e abuse de técnicas de relaxamento – alongamentos, massagens, banhos prolongados, meditação, etc.

MEDICAMENTOS = são reservados para quadros específicos, sempre sob orientação médica e personalizado ao paciente. é fundamental estabelecer a estratégia, a duração, as doses e o seguimento. Existem duas abordagens:

1- Remédios que cortam a ansiedade na hora = são usados no inicio do tratamento, para cortar a crise de pânico que já começou ou para reduzir agudamente os sintomas. Não são usados a médio e longo prazos pois geram dependência e necessidade de progressivo ajuste de dose. (os principais são os benzodiazepínicos)

2- Remédios que previnem a ansiedade = esses são os principais medicamentos usados a médio e longo prazo. Eles alteram o status basal de ansiedade, reduzindo muito os sintomas e as exacerbações. Trazem muita qualidade de vida para o paciente e devem ser mantidos, pelo, menos, por 3 meses. Não alteram a personalidade da pessoa e não  viciam. (são geralmente antidepresssivos modernos que inibem a recaptação da serotonina e, eventualmente, da noradrenalina).

A lista de opções de medicamentos é vasta e a escolha deve ser feita com base de um conhecimento profundo do paciente , suas comorbidades e suas expectativas. Alguns são mais rápidos, outros mais lentos, mais caros ou mais baratos, alguns emagrecem, outros engordam, enfim… a personalização da conduta é fundamental para uma boa aderência e excelentes resultados clínicos.

Fonte – Neurologista Leandro Teles – www.leandroteles.com.br

Membro da Academia Brasileira de Neurologia – Formado e Especializado na Universidade de São Paulo  – http://www.leandroteles.com.br/neurologista-leandro-teles-curriculo-usp/

Veja ABAIXO entrevista do Dr. Leandro Teles sobre esse tema:

http://www.youtube.com/watch?v=4No2xcfv-ZA PROGRAMA VIDA – MELHOR

 

 

Leandro Teles

Leandro Teles

Neurologista graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com especialização no Hospital das Clínicas (HCFMUSP). É membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e também atua como consultor em programas de TV, rádio, revistas, jornais e portais na internet com o intuito de melhorar a qualidade de vida das pessoas através da disseminação do conhecimento médico. O doutor Leandro está frequentemente presente no Programa Mulheres (TV Gazeta) e Vida Melhor (Rede Vida) e também já participou como consultor ou entrevistado em programas como: Todo Seu, Você Bonita, Notícias & Mais, Hoje em Dia, Domingo Espetacular, entre outros. Também é colunista fixo do portal Vivo Mais Saúde, ao lado de nomes como Márcio Atalla, Drauzio Varella e Laura Müller.